Traição

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Apesar de dolorosa, infidelidade pode trazer chance de crescimento.

Há várias respostas sobre esse assunto, uma delas é violar a confiança do outro produzindo conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos ou mesmo por questões culturais, carências, insatisfação em relação a desejos, vingança, o estímulo provocado pela sensação de perigo, entre outras.

Poucas coisas são tão dolorosas em uma relação a dois quanto a traição de uma das partes. Tenha sido descoberta ou revelada, ela sempre traz à tona muitos sentimentos contraditórios: “o outro não presta“, “o outro não me ama“, “eu não sou boa o suficiente“, “ninguém nunca poderá me amar“, “onde foi que eu errei?“, são apenas algumas das opções.

Dói muito, por vários motivos: depositamos nossa confiança na outra pessoa e ela nos decepcionou; juramos exclusividade mútua e uma terceira pessoa foi incluída na relação sem a concordância de todas as partes; honramos sozinhos o compromisso assumido, fomos obrigados a dividir o ser amado com outra pessoa sem termos sido consultados. São muitos os motivos pelos quais sofremos, mas a experiência de uma traição carrega em si uma incrível oportunidade de crescimento, onde aprendemos a conhecer melhor o outro, à nós mesmos, e aos problemas da relação. Só depende de como lidamos com isso.

Traição é como um vaso que se quebrou?

Pode ser colado novamente? Haverá marcas? São avaliações válidas.
Normalmente não imaginamos que seremos traídos. Creio que normalmente somos otimistas, ainda bem, pois se fôssemos tão pessimistas, ou até mesmo realistas como alguns defendem, não entraríamos em relacionamentos por medo dos problemas que podem surgir.  Mas continuamos, aliás, desejamos ter relacionamentos. Alguns sofrem quando estão sós. E este deve ser o motivo: a solidão também pode assustar, e por mais que doa ser traído sempre há chance de não acontecer, também há a chance de talvez não doer tanto, ou até mesmo de nunca sabermos que aconteceu. Mas quando acontece…

A dor vem de vários caminhos:

● A decepção, pois podemos perceber que não a conhecíamos tão bem como pensávamos.
● A raiva de nós mesmos, pois podemos pensar que de alguma forma somos responsáveis.
● Pode haver pensamentos sobre nunca mais encontrar alguém que possa ser fiel aparecem com a traição e tornam a vida um tormento.
● Podemos perder a esperança de sermos felizes novamente.

A pessoa traída pode se comparar com o outra pessoa que foi objeto de traição e se não sabe quem é pode ser pior pois sua imaginação pode fazê-la sentir-se inferior e outras coisas do tipo.

Para superar uma traição pode ser importante saber quem somos, quais nossas prioridades, quais nossos valores, do que podemos abrir mão, etc…

Confiança

Confiança é um sentimento de segurança, de certeza, de tranquilidade e de acreditar no outro fielmente. Quando se é traído, esse sentimento é quebrado, mas é possível recuperar. Confiança não se impõe, se conquista. Sendo assim, se o parceiro quebrou a confiança e passa a ter atitudes de modo a se redimir, é possível reconquistá-la.

Traição virtual x Traição real

Todos nós possuímos um mecanismo chamado Ego Ideal, que simboliza nossos valores, aquilo que acreditamos. Por isso, conforme os “valores de uma pessoa ou casal”, o relacionamento apenas virtual pode “não ser” considerado traição, pois não lida com envolvimento físico. Entretanto, é sabido que cada casal possui entre si uma espécie de pacto silencioso, um conjunto de regras que não precisa ser verbalizada.

Por que procurar a internet para trair?

Pode ser por uma simples curiosidade ou por uma crise no relacionamento. Muitos pensam que ficar ali teclando e buscando novos “amigos” em sites de relacionamento não tem nada a ver e começam a teclar com desconhecidos. O problema é que muitas destas traições virtuais podem se tornar reais ou a simples descoberta de um teclar de frases em uma rede social, mesmo sem envolvimento físico, pode arruinar com um relacionamento de longa data. Será que vale à pena arriscar? Há quem entenda que em um momento de crise o parceiro pode procurar outro relacionamento, até para fortalecer o atual, mas há quem ache isso inadmissível. Há casais que voltaram a se amar depois que trocaram de parceiros em uma casa de swing. Perceberam, a partir daí, que “a grama do vizinho nem era tão verde assim” e decidiram apostar naquele relacionamento tradicional que já conheciam.

Aumento da traição com as redes sociais

As redes sociais servem para aproximar as pessoas e aumentam o fluxo de comunicação. É comum estar no trabalho e estar simultaneamente, conversando com um ou vários grupos de amigos na internet sobre os mais variados assuntos. Há grupos e até redes sociais específicas para quem quer trair com discrição. Sem dúvida, se não aumentaram, as redes sociais facilitaram em muito a vida de quem deseja “pular a cerca”.

Identificando a causa da traição

É preciso ter duas coisas claras desde o início. Primeiro, ninguém trai sozinho. Claro que para toda regra há exceção, mas não é comum que não haja qualquer problema entre o casal e uma das partes traia. Todos estamos socialmente e culturalmente programados para sermos fiéis, portanto, trair é uma transgressão inclusive para o traidor. Por isso, acredito na existência de uma forte motivação por trás desse ato, geralmente alimentada (conscientemente ou não) por ambas as partes da relação.

O segundo ponto importante a ter em mente é que, mesmo que ambas as partes tenham participação no real motivo por trás da traição, trair é sempre uma escolha pessoal. Por isso, é sempre responsabilidade única e exclusiva daquele que trai. Ainda que os fatores motivadores sejam construídos com a participação de ambas as partes, não dá para culpar o outro por termos traído. Por mais problemas que tenhamos com a pessoa que estamos, sempre podemos escolher mil caminhos diferentes da infidelidade. E se escolhemos trair, essa responsabilidade é exclusivamente nossa.

Uma vez que traímos, o que fazer?

Muitas pessoas decidem contar para o parceiro em nome de uma suposta sinceridade, que na verdade pode esconder um profundo egoísmo. Não aguentamos o peso da nossa própria consciência e precisamos dividí-lo com a outra pessoa. Nos sentimos péssimos com a gente mesmo, e precisamos que o outro amenize esse sentimento, “perdoando” nosso ato. Assim, se o outro nos dá o seu perdão, podemos deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, tendo primeiro desfrutado da traição e agora desfrutando do perdão por tê-la cometido.

Mas e o outro, como fica nesse processo? Se nossa sinceridade deriva do amor que sentimos, deveríamos ter em mente o bem-estar do nosso parceiro antes de qualquer outra coisa. Não dividimos com o outro a decisão nem os prazeres da traição, mas queremos que ele nos ajude a carregar o peso do erro.

Outros não têm nem a opção de decidir se contam ou não: são descobertos antes de poder se revelar. Aqui, o melhor a fazer é deixar a poeira baixar, para então sentar e avaliar as razões pela qual a relação chegou até ali, o que faltou à parte que traiu para buscar algo fora da relação, onde cada um errou, o que poderiam ter feito melhor e, principalmente, o que significou aquela traição para quem a cometeu.

Foi apenas um momento?
Houve sentimento envolvido?

A partir daí, será possível ver claramente se dá para perdoar e seguir com a relação em outras bases, ou se é melhor partir para outra, especialmente se o traído não conseguir ou desejar perdoar.

O que vem depois da traição

Quando assumimos publicamente um compromisso com outra pessoa, decidimos “renunciar à nossa liberdade” para nos tornarmos parcialmente “propriedade de”. Ainda assim, continuamos donos de nós mesmos, e temos o direito de, em algum momento, decidir fazer algo com isso que nos pertence sem necessariamente pedir permissão ao outro. Neste caso, nossa obrigação é preservar o ser amado de toda e qualquer dor e continuar sendo fiel em muitos outros níveis da relação, que extrapolam o físico e o sexual. Podemos continuar sendo pais presentes, maridos presentes, amigos para toda hora e parceiros em situações difíceis, sem expor, ridicularizar, trair dentro do círculo de amigos, ou com o melhor amigo do nosso par.

Ao contrário do que muitos pensam, uma traição não necessariamente ocorre quando a relação já esgotou todas as suas possibilidades. Ela pode ocorrer por raiva, por vingança, por carência, por autossabotagem (tem gente que não sabe aceitar a própria felicidade e busca uma maneira de destruí-la), e pode ainda funcionar como uma “muleta” para a relação. Como não encontramos uma maneira de conseguir o que nos falta com o nosso parceiro – mas também não podemos conceber a vida sem aquela pessoa – buscamos externamente um remédio. Ainda que temporária ou falha, essa solução momentânea nos permite continuar vivendo a relação que escolhemos, apesar do problema que não podemos resolver.

De muitas maneiras, uma traição é uma oportunidade de crescimento para as duas pessoas. Ela não precisa ser o fim, nem representar o fracasso da relação. Como tudo na vida, dependerá apenas do uso que o casal fizer da experiência, e da maturidade que tenha para abordar os próprios problemas. O resultado desta vivência pode ser uma relação mais madura e consolidada. Ou o fim, onde cada um segue seu caminho com maior conhecimento das próprias necessidades e limitações.

Engana-se quem acha que traição é só sexo. Flertes em redes sociais ou qualquer veículo de comunicação é uma traição.

Juliana Coutinho

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2 comentários em “Traição

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